Sem título.
Sempre te achei meio prepotente. Confesso que também te achava atraente. Você gostava das melhores roupas das lojas. E eu vivia economizando para comprar uma blusa no final do mês. Sempre achei que você nunca reparou em mim, como eu sempre reparei em você.
Você vivia levando garotas diferentes para sua enorme "Mansão Do Dinheiro". Sempre pensei que você me via como um encosto, afinal, a filha da empregada não pode viver no mesmo nível que a vida do patrão. Você gostava de me provocar, e eu percebia em seu olhar que só ficava com aquela loira antipática da nossa escola para me ver roxa de ciúmes. Parabéns! Você agora só está me provando que definitivamente sempre serei apaixonada por você, e por essa sua arrogância que parece ser infinita.
Você sempre disse que gostava dos meus longos cabelos ruivos, das minhas sardas que mais parece manchas, e dos meus olhos verdes meio azulados. Mas eu sabia que isso era só mais uma de suas cantadas baratas. Eu nunca iria me render. E eu nunca me rendi.
Eu nunca lhe disse, mas seus olhos meio azulados sempre foi uma das minhas paisagens favoritas. Sua boca rosada e carnuda, sempre me tirava o fôlego. Seus cabelos pretos e escorridos sempre deixou seu rosto mais bonito e cheio de vida.
Isso aqui é uma carta de despedida, não consigo mais ficar perto de você. E não quero mais lhe ver com uma loira qualquer.
Fiz 18 anos agora, e estou recomeçando minha vida, longe de você. Não temos nada em comum, e seus pais nunca aceitariam isso. Uma filha de empregada, namorando seu lindo filho. Óbvio que achariam que seria por interesse. Passei em uma escola, e estou indo para Suíça.
Desde pequena sonho com isso, você sabe.
Você ainda se lembra, né? De quando corríamos sem medo de ninguém, e andávamos por aí de mãos dadas e sorrindo alegremente?
6 anos. 7 anos. 8 anos. 9 anos. 10 anos. 11 anos. 12 anos.
Sua primeira namoradinha. Meu primeiro beijo. Meu primeiro olhar para você. Seus primeiros olhares para mim. Sempre gostei de você, e mesmo depois de fechar essa porta, apesar de alguns temidos anos, sempre lembrarei de você, e do nosso amor que não deu certo por preconceitos.