quarta-feira, 14 de junho de 2017

Não tem cura. 




Olhei nos seus olhos e você desviou. Segurei a sua mão, e você logo soltou sem perceber. Te abracei forte e você só me cumprimentou. Te convidei e você desmarcou. Logo depois reclamou da rotina. Te liguei antes de dormir e você não disse quase nada. Coloquei nossa música para tocar sábado à noite, lá em casa, e você nem percebeu. Fiquei horas a frente do espelho me arrumando, espalhei tudo em cima da cama, e você se atrasou por puro esquecimento. Te dei de bandeja o meu futuro e você ainda se engasga com o seu maldito passado. Fui de van, trêm e pensamento. Corri contra o tempo e você fechou os olhos disfarçando, para ele passar mais rápido. O porta-retratos continua virado. E a nossa música continua tocando. Decorei todas as suas pintas, e você não sabia nem qual era o dia do meu aniversário. Não é bem uma novidade, mas meus melhores amigos te detestam. Nunca me importei. Melhor mesmo era sentir o seu perfume. O gosto doce da sua boca. Coloquei meus braços em volta do seu pescoço, e finji que ainda acreditava que você se importava.
Dizem que eu deveria estar sorrindo agora. Que sou uma boa garota e tenho um futuro brilhante pela frente, mas meus dias naquela época ficaram tão opacos. O batom rosa-claro ficou sem brilho. Meus maiores sonhos haviam perdido toda a graça, e as receitas para te esquecer já haviam se esgotado. Eu estava com uma pilha enorme de livros para ler, mas não conseguia mudar de página sem pensar em nós dois. Sempre imagino que poderia ter sido a nossa história. Não sei o que você fez, ou eu fiz de errado. Mas te juro, não foi tão grave assim. Só precisamos descobrir onde a antiga graça se escondeu. Ela levou aqueles nossos sorrisos. Ela levou até os nossos momentos mais íntimos. Levou as minhas poucas lembranças boas daquela época. E por fim, ela levou você. Esses meses estava bebendo tanto, e disse tantas besteiras que todos os dias latejam na minha mente. Não conseguia dormir e fiquei arrumando a bagunça da minha sala a madrugada inteira. Antes você amava as minhas loucuras, mas agora diz que eu preciso me curar. Mas, você sabe que não estou doente. Não é vírus. Não é bactéria. Não é culpa das minhas mudanças repentinas. E nem culpa das estrelas. É você. E você não têm cura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Elogie, ou critique. Pergunte, ou me responda. Faça o que quiser, só não me odeie por algo que eu nem sei o que é.